Inovação e gestão em pessoas sempre foram os assuntos que agitaram as versões anteriores do GoOn Fair, evento anual de conteúdo e networking promovido pela GoOn Risk. Estes temas ganharam ainda mais destaque e aprofundamento, desta vez presentes em novos termos. Enquanto a gestão de pessoas protagonizou diversos painéis sob a forma de propósito, a inovação ganhou ênfase como fintech.

Assim como as temáticas principais, o GoOn Fair também se reinventou. Promovido no último dia 22, o evento foi realizado no Clube Hebraica, em São Paulo, e contou com a presença de 900 executivos e líderes de empresas dos segmentos de crédito, cobrança, varejo e setor financeiro. Além do novo espaço, uma das principais e mais consolidadas consultoria de Gestão de Risco do Brasil lançou ainda o seu próprio hackathon.

Mas em time que está ganhando não se mexe, certo? Por isso, dois painéis que são sucesso de público garantiram boa parcela de presentes logo cedo. Mais uma vez abertura do evento coube à Monja Coen, que convidou os participantes a fazerem um breve exercício de respiração e discursou sobre a responsabilidade na tomada de decisões.

Outra discussão esperada foi a análise sobre os rumos da economia, orquestradas por Rogério Chequer, empresário, Cláudia Viegas, economista, José Tosi, sócio conselheiro da GoOn e Fábio Kruzich, CEO da GoOn.

De acordo com as projeções da LCA Consultores, apenas em 2021 o país recuperará a renda per capita. Outro fator preocupante, observado por Cláudia Viegas, é que o País está prestes a perder o bônus demográfico (quando o número de pessoas ativas e aptas a trabalhar supera o número de crianças e idosos). Por isso, ela sugere o ajuste fiscal e a urgência de reformas no cenário político para a real retomada do crescimento econômico brasileiro. “Quando se fala em reforma, referimo-nos às macros. Mas devido à queda que passamos, só as reformas macros já não são suficientes. O cadastro positivo estancaria questões institucionais e reduziria o custo Brasil”, emendou a docente, que apontou ainda necessidade de reduzir a SELIC.

Neste painel, as fintechs já ganharam seu primeiro destaque, ao serem apontadas como um caminho sem volta do mercado para aumentar a competição no segmento bancário e, assim, romper com o monopólio dos preços. “A competição é muito importante na redução de barreiras”, emendou.

Propósito

“Como você decide cada prioridade da sua área? Quando não temos consciência, ficamos cheios de desperdícios e tudo isso acaba desinteresse”, pontuou Fernando Manfio, sócio fundador da GoOn.

De acordo com Manfio, o projeto da GoOn é levar consciência às empresas, pois executivos procuram soluções, mas não sabem efetivamente aplicá-las. “Já falei com presidente de banco que suspendeu lançamento de produto por causa da minha fala. Qual é o propósito deste produto? Isso aqui tem a ver com o quê?”, exemplificou o sócio fundador.

Manfio defende que profissões e empresas vão mudar, mas as necessidades humanas persistirão. Sendo assim, ressaltou a importância de atender as necessidades humanas para que as empresas se mantenham no mercado. “Quando você fala de propósito, não existe propósito resiliente que não contenha como meta o ser humano. Que propósito que não está ligado ao ser humano que dura? Nenhum. Quando a Apple fala de inovação, ela vende uma necessidade humana: inovar. Se você fala que vende dinheiro barato, não é tão necessidade. As pessoas não querem dinheiro barato, as pessoas querem realizar sonhos”, justificou ele sobre toda a proposta que conduziu a organização do GoOn Fair.

A consciência foi o principal assunto também no período da manhã, quando Eduardo Farah ensinou aos palestrantes e presentes o que é e quais são os benefícios do mindfulness, técnica já consagrada sobre como manter o foco. “Onde você coloca sua atenção, a ação vai segui-la. Atenção plena é a capacidade de desenvolver equanimidade mental”, comentou o palestrante, que sugeriu uma prática diária de alguns minutos e ressaltou que o mindfulness se tornou tamanha referência mundial que no Fórum Econômico de Davos foram promovidas diversas sessões entre as palestras.

Pelo segundo ano consecutivo, os negócios sociais ganharam destaque na programação do evento. Alexei Bonamim, da Tozzini Freire, observou que a preocupação em criar empresas preocupadas em resolver questões sociais já se faz presente nos principais centros mundiais de inovação. “Em Israel, visitei todos venture capitals e todos estão investindo em negócios sociais e tendo retorno”, compartilhou.

Mas o que falta para este movimento ganhar força no Brasil? José Tosi defende que a saída será por vias tecnológicas. “A nossa geração [baby boomer] cresceu e foi educada em gestão de custo e escala, em que o objetivo é atingir o lucro. O que precisamos para dar força aos negócios sociais é usar o barateamento da tecnologia para facilitar a criação de mercados de nicho”, sugeriu.

Novo presidente

Depois de 16 anos a frente da presidência da GoOn, Fernando Manfio passou o bastão para Fábio Kruzich, que está na consultoria de risco há 12 anos. “A visão no passado observava o crédito como risco. Hoje temos uma visão mais forte do crédito, crédito 360, em que o crédito é o tratado como um todo.”

Neste sentido, o novo presidente da consultoria mostrou ao mercado que a perspectiva da consultoria é estar integrada com todas as tendências. “Não somos uma empresa de software, mas precisamos saber quais são as melhores tecnologias”, garantiu.

E, para estar à frente das tendências, a GoOn lançou no evento o seu próprio Hackathon, que terá como proposta promover 30 horas de mentoria, workshops e desafios sobre o crédito.

No período da tarde os participantes se dividiram entre as trilhas para acompanhar as discussões que ocorreram simultaneamente, modelo também já consagrado desde 2016, em que ganharam destaque as temáticas de recuperação de crédito, cobrança internacional, cooperativas, varejo, crédito, fintechs e crédito para pessoa jurídica.

Em seguida, os participantes também conferiram práticas reais de mercado, graças à divulgação dos cases de patrocinadores organizadores do evento.

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