Especialistas são categóricos ao afirmar: a ansiedade é o mal do mundo moderno. Graças à matemática, há controvérsias. O distúrbio psíquico promove medo, tensão e angústia a 9,3% da população brasileira – cerca de 20 milhões de pessoas. Um número irrisório e insignificante se comparado à quantidade de inadimplentes. A soma é impressionante – para não classificar como assustadora. 42% da população adulta no país vivem o pesadelo em cadeia: contas em atraso, restrição ao crédito e nome sujo. São 63,6 milhões de inadimplentes, de acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Uma multidão correspondente às populações de Itália e França. Seria como juntar as torcidas dos quatro times grandes do Estado de São Paulo: Corinthians (29,2 milhões), São Paulo (16,7 milhões), Palmeiras (12,5 milhões) e Santos (6,3 milhões). Só com muita rivalidade para igualar o Inadimplência futebol clube.
Sentimentos da inadimplência
Não pagar dói – e muito! 65,6% dos inadimplentes relatam sentimentos de depressão, tristeza e desânimo. Para 57,8%, as dívidas sugam até a última gota de autoestima. E, por falar em gota, muita gente mascara as lágrimas com vícios bem conhecidos. 16,8% admitem recorrer ao trio CCC – comida, cerveja e cigarro – para descontar o vazio.
Consciência financeira – o que não nos ensinaram nas escolas
Esqueça a regra de três e todas as orações subordinadas. No curso da consciência financeira, muitos brasileiros ficaram de recuperação. Definitivamente, não estamos habituados com a disciplina. Gastar bem – e com sabedoria – requer alguns cuidados básicos. Observando as provas do nosso despreparo, seria realmente inteligente se pudéssemos contar com esse ensino no currículo base nacional.
O outro lado: a sútil arte de cobrar
Lidar com a inadimplência é uma tarefa árdua – tanto para o devedor quanto para o setor de cobranças. Muitas empresas insistem em manter a linha old style – o que muitas vezes sustenta uma cadeia de maus tratos. Um dos momentos mais sensíveis na relação das empresas com os clientes, e também crucial para a reversão do caso, é a hora da cobrança de dívidas. Há um óbvio desconforto do inadimplente e, muitas vezes, uma falta de tato do setor de cobranças. Uma equipe bem treinada e consciente é capaz de minimizar o mal-estar. Nós da GoOn insistimos em trocar a palavra “cobrança” por uma mais apropriada e humana: recuperação. É importante buscar entender o que aconteceu e se existem alternativas de liquidar a dívida de forma amigável. O cobrador quer receber, e o cliente na grande maioria das vezes gostaria de pagar. Mas é preciso haver presença e sinergia, ter de fato interesse em resolver a situação. E apenas se não for possível, seguir os passos da negativação.
Mente sã, conta bancária sã
Autoconhecimento na caixa d’água da sociedade reduziria quase na metade a estatística dos inadimplentes e porque não dos ansiosos já que 47% dos entrevistados pelo SPC admitiram que gastaram por impulso? Um comportamento que leva o consumidor a ter o nome negativado. 14,2% contraíram a dívida por problemas financeiros. 12,3%, por problemas de ansiedade. E 8,8%, por insatisfação no trabalho. Brigou com o chefe? Terminou com o namorado? Seu time perdeu a final da Libertadores para o rival? Muita gente afoga as mágoas em 12 x no cartão de crédito. Estamos falando de humanos e todo o universo de pensamentos, sentimentos e emoções. A compulsão por compras tem até nome: a oniomania. Uma obsessão que, em geral, é acompanhada de quadros de ansiedade e depressão. Se for pra investir seu suado dinheirinho, engorde a conta bancária de um psicólogo, professor de yoga ou um bom curso de mindfulness. A recompensa será maior!
Daqui para frente!
Apesar do cenário atual e das fortes crises políticas e de confiança que vivemos nestes últimos tempos, podemos ter um sentimento positivo em relação ao futuro dos índices de inadimplência.
Hoje, considerando indicadores do Banco Central, já visualizamos uma certa recuperação, mesmo que tímida, principalmente no que diz respeito a pessoas físicas. A concessão do crédito também começa a dar sinais de retorno e estimamos que esta melhora continue acontecendo até o final deste ano e início de 2019.